Uma das características da sociedade contemporânea é a velocidade com que ocorre as comunicações entre as pessoas e o surgimento de novas tecnologias. Tratam-se de avanços que impactam em diferentes setores da economia e de um país, promovendo mudanças rápidas e profundas.

A rapidez no processo de comunicação e no surgimento de novas tecnologias tem modificado profundamente a forma com os alunos aprendem. Saber lidar com estas mudanças é uma necessidade cada vez maior, onde os profissionais da educação terão que se adaptar a este novo mundo que já está surgindo.

Entender os impactos das tecnologias no âmbito da educação básica é fundamental para traçar novos rumos e práticas educacionais, contribuindo assim, para novos modelos pedagógicos e inovadores de ensinar e aprender. 

Utilizar diferentes metodologias e estratégias de ensino que considerem as tecnologias como ferramentas primordiais nos dias atuais, é torna-se capaz de acompanhar a rapidez com que as tecnologias digitais chegam às instituições de ensino, principalmente a escola. Neste âmbito, a escola precisa estar atenta às mudanças tecnológicas que ocorrem no seio da sociedade para saber lidar com o seu público-alvo, os alunos.

As inovações, caracterizadas como um processo de criação que confere novidade a um determinado produto ou tarefa, sempre esteve presente no processo de ensino, a exemplo do uso do surgimento do papel para escrita, gis, lapiz, caneta e mais recentemente o uso de equipamentos tecnológicos, plataformas e aplicativos digitais. Todos estes produtos e/ou criações foram usadas de alguma forma para inovar no campo educacional.

A inovação no campo educacional

A criatividade precede a concepção de inovar, pois falar em inovação pressupõem o surgimento de uma ideia criativa que será organizada para se materializar em algo novo. 

O processo de criatividade e o de inovação se diferenciam; no entanto, se relacionam na concretização de um produto consideravelmente positivo. Ou seja, a criatividade precede a inovação, pois, após surgir uma ideia criativa, a inovação cumpre a função de transformá-la em algo concreto e desejável ao processo educativo [1]

Na educação a criatividade poderá fazer surgir novos produtos ou práticas de ensino inovadoras. A inovação na educação requer que surjam nos modelos e formas de educar, onde o principal objetivo é contribuir com o crescimento intelectual e emancipatório do aluno. 

É importante salientar que nem toda criação são realmente consideradas inovadoras, pois para que se enquadrem no campo da inovação a ideia, quando posta em prática, precisa ser original, além de contribuir de fato com as expectativas e objetivos iniciais. Por isso, nem toda ideia, criada a partir das tecnologias existentes, é de fato inovadora e aplicável de forma eficiente na educação básica.

O ato de inovar na educação poderá ser caracterizado tanto no ato de criar uma tecnologia que ajude o aluno a aprender de forma melhor e em um menor tempo quanto na alteração ou criação de políticas públicas educacionais e novos modelos pedagógicos de ensino. Independentemente do tipo de inovação, esta deve ter como objetivo principal contribuir para melhorar a realidade social das pessoas. 

Atualmente, ao tratar da educação básica, suas características e importância na sociedade atual é preciso também analisar a influência que a educação vem recebendo do ponto de vista do desenvolvimento tecnológico experimentados pela sociedade nas últimas décadas.  Esta análise se baseia sobretudo das tecnologias que mais influenciam no processo de ensino/aprendizado e as inovações realizadas que de alguma forma contribuíram ou ainda contribuem para o ensino nas instituições educacionais.

Com o avanço da tecnologia, a escola é chamada a desenvolver competências e habilidades necessárias à reprodução do capital, havendo apenas lugar para aqueles que desenvolvem as qualidades técnicas necessárias ao mercado [2] Neste sentido, as tecnologias ocupam um importante papel uma vez que auxilia a escola e os profissionais que dela fazem parte a desenvolver estratégias adequadas para o ensino.

Inovar é antes de tudo, introduzir uma novidade e/ou fazer algo diferente do que era antes. Inovar pressupõem que a pessoa tenha uma certa criatividade e ao mesmo tempo conhecimento do objeto ao qual está querendo modificar ou utilizar para criar algo novo. 

Durante anos a escola, que acompanhou a evolução da humanidade, se manteve praticamente inalterada diante do surgimento de inovações tecnológicas. As tecnologias disponíveis eram usadas somente para dar suporte ao processo de leitura e escrita.  Porém, nas últimas décadas, temos assistido uma incorporação cada vez mais intensa das chamadas tecnologias da informação e comunicação (TIC) no contexto escolar.

A tecnologia deve ser o suporte para que gestores, professores e pedagogos inovem, tendo como objetivo melhorar o processo de ensino/aprendizagem e também ampliar e melhorar o acesso à educação por parte dos alunos provenientes das classes mais baixas e sem condições para fazer uso do que é produzido pela tecnologia. 

Dentre algumas medidas tomadas ao longo do mundo na relação entre TIC, equidade e educação, podemos citar a China, que forneceu computadores, pacotes de dados móveis e subsídios de telecomunicações para estudantes de famílias de baixa renda. A França, por sua vez, emprestou dispositivos e forneceu tarefas impressas para 5% dos alunos que não possuem acesso à internet ou acesso a computadores no país [3]  

Torna-se possível afirmar que os dispositivos digitais e as inovações criadas no campo educacional permitem melhorar todo o processo de ensino e aprendizagem em sala de aula. Não se trata de ferramentas que irão substituir o professor em sala de aula, mais complementar o processo de ensino. A incorporação das tecnologias existentes no sistema educacional e a sua disponibilização para os alunos, principalmente aqueles de baixa renda, é uma necessidade que deve ser implementada em todos os níveis educacionais da educação pública.

Com isso, o uso dos recursos digitais na escola permite que a tecnologia traga uma nova realidade para a escola, onde os educadores passam a usá-la para desenvolver novos recursos pedagógicos que estejam de acordo com a realidade dos estudantes. 

As novas tecnologias no campo educacional 

A inovação no campo educacional significa pensar além do espaço e das técnicas desenvolvidas no ensino tradicional. Trata-se de pensar no sentido de romper barreiras e de incorporar novos significados e metodologias no ensino. Com isso, não basta ter disponíveis as melhores e mais modernas tecnologias se o educador não souber como utilizadas para melhorar o ensino [4]

As TICs são ferramentas que possibilitam aumentar as possibilidades de inovar no processo de ensino/aprendizagem, com práticas pedagógicas de acordo com a realidade atual e com as exigências de uma escola integrada às mudanças que estão ocorrendo no mundo. De forma alguma as tecnologias da informação e comunicação devem ser encaradas como um substituto do papel do professor, mais sim como uma possibilidade de incorporação das tecnologias para o desenvolvimento de aulas mais atrativas e inovadoras em sala de aula. Neste sentido, a tabela 1 destaca algumas tecnologias já existente e inovações que podem ser utilizadas na educação básica.

É preciso salientar que as tecnologias e inovações que surgem e que podem ser usadas no sistema educacional, no processo de educação remota, entre outros., requerem uma maior atenção por parte dos professores e do aluno, justamente pelas dificuldades que se impõem como a distância entre professor/aluno, além das possíveis distrações que as ferramentas podem gerar no processo de ensino e aprendizagem.

Os professores que conseguem manter um alto nível de interatividade no ambiente EaD podem obter resultados de aprendizagem semelhantes aos professores que ensinam na sala de aula. Porém, é possível afirmar que a sala de aula ainda é o espaço por excelência do debate, do aprendizado por meio de exemplo, entre outros. Neste sentido, 

Metodologias ativas, tecnologias e sua importância para a educação

O método ativo tem sido divulgado de forma expressiva em instituições universitárias estrangeiras e em território nacional. É um assunto que tem ganhado notoriedade nos últimos anos, sendo incorporado nas discussões que visam melhorar e ampliar às metodologias de ensino, principalmente relacionadas ao ensino básico [5]

Em contraposição as formas tradicionais de ensino e aprendizagem, em que os alunos assumem uma postura passiva na recepção do conhecimento, o método ativo procura o inverso, que neste caso se refere a incluir os alunos como atores principais na construção do conhecimento.

O método ativo é caracterizado com um processo que busca estimular a autoaprendizagem, além de contribuir para que os estudantes despertem a curiosidade para pesquisar novos elementos sobre aquilo que ele visualizou em sala de aula.

Entre as metodologias ativas existentes é possível citar as seguintes: estudo de caso, seminários, exercícios em grupos, socialização, oficinas, leituras comentadas, debates, apresentações de filmes, apresentações musicais, dramatizações, entre outros.

A mudança de um método tradicional para um método ativo não se constitui tarefa fácil, além da complexidade em sua efetivação, pois toda a metodologia que visa o ensino parte de uma concepção da forma como o sujeito aprende. Assim como em várias outras disciplinas na escola pública e privada, percebe-se uma continuidade da utilização de métodos tradicionalistas no processo ensino-aprendizagem na área de geografia.

Independentemente do tipo de criação ou inovação no âmbito da educação básica, esta deve ter como objetivo valorizar o ensino enquanto ferramenta que prioriza a reprodução do saber e que contribui para a transformação de uma sociedade com oportunidades para todos.

A sociedade está passando por um momento onde o uso de ferramentas tecnológicas tem sido primordial para o aprimoramento do ensino e da aprendizagem de conteúdos que antes tinham por excelência a sala de aula como palco. Com isso, os exemplos atuais demonstram que o ensino está convergindo para utilizar de forma mais intensa recursos tecnológicos, tais como equipamentos que possibilitam projetar objetos por meio da realidade aumentada, uso de plataformas digitais, aplicativos, entre outros.

Aplicar estas tecnologias no contexto educacional será primordial para o sucesso da educação no futuro e um grande desafio para os profissionais. Por isso, estes profissionais deverão estar atentos e preparados para inovar no processo de ensino a partir das tecnologias disponíveis. 

Também é preciso destacar que os professores ainda passam por dificuldades em desenvolverem atividades que utilizam tecnologias e metodologias inovadoras no ensino básico, em especial o ensino fundamental. Problemas como a falta de infraestrutura física, violência na escola, ausência de políticas públicas, de apoio por parte da sociedade e salários defasados também são problemas que necessitam ser solucionados para que os professores possam ter melhores condições para inovar.

Referências consultadas

[1] SOUZA, Kênia Paulino de Queiroz; PINHO, Maria José de. Criatividade e inovação na escola do século XXI: uma mudança de paradigmas. Revista Ibero-Americana de Estudos Em Educação, v. 11, n. 4, p. 1906-1923, 2016. Disponível em: https://dialnet.unirioja.es/servlet/articulo?codigo=6202946.

[2] BAPTISTA, Maria das Graças de Almeida et al. Inovações tecnológicas, educação e necessidades do capital. Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, v. 15, n. 1, p. 289-304, 2020. Disponível em: https://periodicos.fclar.unesp.br/iberoamericana/article/view/12710/8813

[3] SOUSA, Galdino Rodrigues de; BORGES, Eliane Medeiros; COLPAS, Ricardo Ducatti. EM DEFESA DAS TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO NA EDUCAÇÃO BÁSICA: diálogos em tempos de pandemia. PLURAIS-Revista Multidisciplinar, v. 5, n. 1, p. 146-169, 2020. Disponível em: http://www.revistas.uneb.br/index.php/plurais/article/view/8883/5690.

[4] NASCIMENTO, F. I. C. do. SILVA, D. L. da. Tecnologias Educacionais no Ensino Básico: Exemplos de aplicações na área de Geografia. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 05, Ed. 11, Vol. 01, pp. 93-108. Novembro de 2020. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/geografia/area-de-geografia

[5] ABREU, José Ricardo Pinto de. Contexto Atual do Ensino Médico: Metodologias Tradicionais e Ativas – Necessidades Pedagógicas dos Professores e da Estrutura das Escolas.  2011. 105 f. Dissertação (Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde) – Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Porto Alegre, 2009.

[6] SILVA, Alexandre José de Carvalho. Guia prático de metodologias ativas com uso de tecnologias digitais da informação e comunicação / Alexandre José de Carvalho Silva. – Lavras: UFLA, 2020. 69 p.

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