A tempos a sociedade vem passando por um processo de grandes mudanças, principalmente devido as grandes descobertas e inovações na área de tecnologia o que vem exigindo uma renovação em diversos setores, e o âmbito educacional é onde há uma das maiores carências de reorganização para que haja uma educação de qualidade e inclusiva.

O professor que está atuante na sala de aula, muitas vezes, não está preparado para a inserção do uso das TICs como mecanismo de construção do conhecimento. Não está apto a mediar essa avalanche de informações resultado dessas tecnologias. Isso se deve a deficiência na formação dos professores, pois não há na sua formação a preocupação em prepará-los para lidar com as tecnologias em sala de aula.

Considerando que hoje, uma das tendências da humanidade está intrinsecamente voltada para os novos meios tecnológicos, e dentre todas estas tecnologias cabe uma atenção maior para aquelas que propiciam a representação e a transmissão da informação, interferindo diretamente na mente humana e no raciocínio, como exemplo simples (redes sociais- mensagens correio eletrônico), como é que poderemos utilizar estas tecnologias de modo a garantir o melhor desempenho em sala de aula?

É fato de que a Informática e suas tecnologias associadas são de extrema importância para os professores na contemporaneidade. O Datashow e os mapas digitais, por exemplo, são tecnologias que se for bem utilizadas podem enriquecer a aula e desenvolver a consciência espacial dos alunos.

Mais será que os professores utilizam estas tecnologias para enriquecer suas aulas? ou somente o livro didático já é o bastante? Enfim, responder esta pergunta não está no objetivo deste artigo, mais sim de levantar esse debate que é de extrema importância para todos os profissionais que ensinam Geografia no ensino fundamental e médio.

O que dizem outros autores

De acordo com Alves (2011) desde a antiguidade existem menções sobre a formação integral do indivíduo. Porém, somente a partir do século XIX que a concepção de educação integral se fortalece e começa a se tornar realidade. No Brasil, a escola de tempo integral surge por meio das contribuições de Anísio Spínola Teixeira.

A ideia da oferta de uma educação em tempo integral surge da necessidade de oferecer aos alunos um programa educacional completo, envolvendo a leitura, escrita, ciências humanas, físicas e sociais, música, educação física, artes, entre outros. Esta proposta tem como um dos motivos contornar os problemas sociais da desnutrição, do abandono escolar e da falta de infraestrutura básica para os alunos que vivem em áreas periféricas das grandes medias e grandes cidades brasileiras.

Mesmo com o acúmulo de funções e problemas que a educação em tempo integral se propõem a resolver, ainda há dúvidas sobre o seu verdadeiro papel, tendo como exemplo o questionamento de Souza e Charlot (2016) sobre haver uma escola em tempo integral para promover uma educação integral ou simplesmente disponibilizar mais tempo para a realização as atividades disciplinares? Neste caso, busca-se saber qual o real objetivo da escola, se é ganhar mais tempo para a realização das atividades ou se é para propor uma nova forma de ensinar, diferente do modelo de ensino encontrado em escolas de meio período.  

A educação integral incorpora uma necessidade de ofertar mais oportunidades por meio do enriquecimento curricular dos estudantes. Porém, esta necessidade pode ser frustrada caso as políticas educacionais sejam influenciadas por ações internacionais e agências privadas de financiamento educacional, pois neste caso o interesse maior será no lucro financeiro e na manutenção da força de trabalho requerida pelo sistema neoliberal e pelo comércio. 

No Brasil, a escola de tempo integral surgiu como uma proposta de implementação gradativa e com proposito de educar para a cidadania, com uma formação humana integral no contexto atual em que se insere a sociedade e suas tecnologias. As limitações da implementação da educação integral são tratadas por meio de uma implementação gradativa do turno integral em parte das escolas públicas.

É preciso estar atento que não há uma só proposta para a implementação da educação integral. Existem uma multiplicidade de alternativas para que as escolas organizem a sua matriz curricular.  Este aspecto talvez seja observado como algo positivo pois garantem aos profissionais da educação a possibilidade de tomarem suas próprias decisões curriculares de acordo com as condições de gestão e infraestrutura curricular. Também se mostra uma importante chance para a geografia, pois permite adaptar aquilo que será ensinado de acordo com a realidade local.

 A infraestrutura para receber a modalidade de ensino em tempo integral precisa ser adequada aos objetivos da escola e do modelo de ensino que se pretende implementar. Isso permite favorecer os diferentes tipos de interações em sala de aula. É por meio de um espaço adequado que o professor poderá organizar melhor as suas atividades, seguindo os seus objetivos pedagógicos.

Ainda há uma grande discussão sobre a ampliação do tempo de estudo nas escolas, onde se busca entender os reais benefícios desta implantação. A dicotomia envolvendo este assunto envolvem grupos que acreditam que a ampliação da carga horária irá trazer mais aprendizado para os alunos, enquanto outros afirmam que a ampliação desta modalidade de ensino só ressalta a incapacidade das famílias brasileiras e da sociedade em educar e proteger crianças e jovens da pobreza e da violência. Neste caso, a escola estaria fazendo o papel da família e do Estado ao mesmo tempo, ao invés de ser um espaço voltado para o crescimento social e intelectual.

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Consultas realizadas

ALVES, Joana Darc Moreira. Escola de tempo integral: uma reflexão sobre suas contribuições e seus desafios, considerando a diversidade e a inclusão. Itinerarius Reflectionis, v. 7, n. 1, 2011.

SOUZA, Maria Celeste Reis Fernandes; CHARLOT, Bernard. Relação com o Saber na Escola em Tempo Integral. Educação & Realidade, v. 41, n. 4, p. 1071-1093, 2016.