O interesse pelo estudo das mudanças climáticas surgiu com por meio da detecção de testemunhos de gelo que demonstraram variações na temperatura e na precipitação no passado. Por meio de estudos como estes a ciência conseguiu comprovar que a temperatura global nem sempre foi a mesma, e que esta sofreu grandes variações em poucas décadas.

A análise de testemunhos de gelo polar fornece com precisão a evolução da atmosfera, dos oceanos, e do clima da terra nos últimos milhares de anos [1]. Investigações como estas permitem, por exemplo, determinar variações na concentração dos gases do efeito estufa no passado.

A notícia sobre a instabilidade do gelo da Antártida Ocidental vem de um estudo publicado por uma equipe de pesquisadores, liderados pelo professor Andy Shepherd, da Universidade do Leeds no Reino Unido. Ao combinar 25 anos de medições de satélite da Agência Espacial Europeia em um modelo do clima regional, o Centro Britânico de Observação e Modelagem Polar (CPOM) rastreou mudanças na cobertura de neve e gelo em todo o continente Antártico.

O professor Andy Shepherd, e sua equipe, descobriu que a camada de gelo da Antártida diminuiu em até 122 metros, com as mudanças mais rápidas ocorrendo na Antártida Ocidental, onde o derretimento desencadeou o desequilíbrio glacial.

O uso de satélites para medições na Antártida

O estudo, publicado na revista científica Geophysical Research Letters, usou mais de 800 milhões de medições da altura da camada de gelo da Antártida registradas pelas missões de satélite do ERS-1, ERS-2, Envisat e CryoSat-2 entre 1992 e 2017 e simulações de neve no mesmo período produzido pelo modelo climático regional RACMO.

O autor principal e professor-diretor da CPOM, Andy Shepherd, explicou: “Em partes da Antártida, a camada de gelo diminuiu em quantidades extraordinárias, e então nos propusemos a mostrar o quanto era devido a mudanças no clima e quanto era devido ao tempo.”

Chegou-se a esta conclusão a partir da seguinte analise: A equipe de estudo comparou a mudança da altura da superfície medida às mudanças simuladas na queda de neve e, onde a discrepância foi maior, atribuíram sua origem ao desequilíbrio glacial.

Eles descobriram que as flutuações na neve tendem a causar pequenas mudanças de altura em grandes áreas por alguns anos, mas as mudanças mais pronunciadas na espessura do gelo são sinais de desequilíbrio glacial que persistem há décadas.

O Professor Shepherd acrescentou: “Saber quanta neve caiu realmente nos ajudou a detectar a mudança subjacente no gelo glacial dentro do registro dos satélites.

[1] JUSTINO, Flávio; HASTENREITER, Felipe; GRIMM, Alice. Impacto da Concentração do dióxido de carbono atmosférico no gelo marinho antártico. Oecologia Brasiliensis, v. 11, n. 1, p. 68-77, 2007.

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