Expectativa de vida ao nascer

Estamos sempre em busca de viver em um bom lugar, ter uma boa casa, viver em uma rua com todos os itens necessários para uma ótima qualidade de vida, bons representantes públicos, um sistema de saúde e educação em níveis aceitáveis, entre outros.

Nem todas as pessoas possuem as condições físicas, financeiras e intelectuais necessárias para mudar para um lugar melhor. Muitas também possuem o medo de não se adaptar em novo local. Outras não se mudam pois não querem deixar a família . Enfim, existem vários motivos que fazem uma pessoa mudar, e o principal deles é a busca por uma melhor qualidade de vida.

Pesquisas apontam que crianças que nascem em lugares economicamente desfavoráveis tendem a ter piores resultados de saúde e educação quando adultos em relação a lugares com melhor economia. Estas diferenças podem variar de estado para estado, município ou bairro.

Dados recém divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e compartilhado em outras plataformas digitais demonstram que a expectativa de vida no Brasil varia consideravelmente no espaço geográfico. Isso demonstra que a expectativa de vida pode ser seriamente determinada pelo lugar onde nascemos.

Uma pessoa no Brasil pode esperar viver uma média de 76 anos, de acordo com os números mais recentes do IBGE. No entanto, a expectativa de vida pode variar muito de um lugar para o outro. Uma criança nascida no estado do Maranhão poderá não atingir os seus 76 anos de vida, pois a expectativa de vida ao nascer neste Estado é de 70,9 anos. No outro extremo, uma criança nascida em Santa Catarina e viva neste estado ao longo da sua vida poderá alcançar os 79,4 anos de vida.

Esta variação também pode ser notada entre municípios ou até bairros de uma mesma cidade. A expectativa de vida ao nascer em São Luiz – MA é de 73,8 anos enquanto que em São Benedito do Rio Preto – MA, distante apenas 250 km de São Luiz a expectativa de vida é de 70 anos. Isso demonstra a complexidade de analisar questões como expectativa de vida, pois há uma série de variáveis que contribuem para elevar ou não a expectativa de vida em um determinado lugar.

No nível de bairro, essas diferenças são, às vezes, ainda mais drásticas, aparecendo mesmo quando as comunidades ficam a apenas alguns quilômetros de distância. Na capital americana Washington, por exemplo, as pessoas que vivem no bairro de Barry Farms possuem uma expectativa de vida de 63,2 anos. No entanto, a menos de 16 quilômetros de distância, uma criança nascida em Friendship Heights e Friendship Village pode esperar viver 96,1 anos, de acordo com dados do CDC (centro de controle e prevenção de doenças).

Apenas poucos quilômetros representam uma diferença de expectativa de vida de quase 33 anos. É uma geração perdida devido a mortes prematuras.

Em geral, quaisquer dos setores censitários no Brasil podem diferir na expectativa de vida, que neste caso pode diferir em aproximadamente 10 anos. Nos EUA esta diferença pode chegar a 41,2 anos, uma diferença realmente considerável. Isso demonstra que além da expectativa de vida variar consideravelmente no espaço, a segregação racial nos Estados Unidos é muito maio que a segregação no Brasil.

Os bairros com grandes populações negras e pardas tendem a ter uma expectativa de vida menor do que as comunidades que são majoritariamente brancas, hispânicas ou asiáticas. Tais diferenças raciais refletem os lugares em que vivem diferentes raças, não as características individuais das próprias pessoas. Pesquisas mostram que as comunidades negras têm menos probabilidade de ter acesso a recursos que promovem a saúde, como mercearias com alimentos frescos, locais para exercícios e instalações de saúde de qualidade. Isso pode ser notado mesmo em bairros de classe média.

Essas comunidades também têm menos oportunidades de prosperar economicamente, com taxas de desemprego mais altas e menos oportunidades de trabalho e educação de qualidade, que moldam os resultados de saúde ao longo da vida. O quão bem um lugar está fazendo economicamente afeta quanto tempo as pessoas que moram lá podem esperar viver. Lugares que estão em dificuldades econômicas, por exemplo, tendem a ter as expectativas de vida mais baixas.

Lugar, raça e classe moldam quão bem e por quanto tempo as pessoas vivem. Mas os governos estaduais e locais podem desemprenhar um papel no aumento das expectativas de vida. Pesquisas mostram que onde os gastos do governo são mais altos na área de saúde e educação, as expectativas de vida aumentam entre aqueles com renda mais baixa. Além dos gastos com saúde e educação é primordial o desenvolvimento de políticas de inclusão social em áreas mais pobres.

Fonte consultadas

Usnews, Ipea, Datapedia, Atlas Brasil, Ibge.

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