É inquestionável o fato de que o surto da borracha contribuiu para um aumento considerável da ocupação da Amazônia por migrantes vindo principalmente da região nordeste. O Acre, por exemplo, teve seu crescimento populacional incrementado graças a transformação da borracha, chamada de “droga do sertão”, em uma importante matéria prima industrial no final do século XIX.

O Látex extraído da seringueira foi elevado à categoria de matéria prima industrial por volta de 1823, com a descoberta por Macintoch da tecnologia que permitia torna alguns produtos impermeável. Porém, alguns altores afirmam que o Látex já era utilizado para tornar produtos impermeáveis, tais como roupas, desde o século XIII através de indígenas da América do Sul. Com isso, foi a descoberta dos benefícios e utilidades do látex que se inicia o processo de migração de brasileiros para a região amazônica.

É possível afirmar que a economia da Amazônia a partir do século XIX e início do século XX foi totalmente baseada na extração do Látex da arvore denominada seringueira para a produção de borracha natural, que na época era um produto cobiçado por muitos países, em especial os que se localizavam no continente europeu. Com o estouro da primeira guerra mundial a borracha passou a ser valorizada como um produto essencial para os países envolvidos.

Com isso, a borracha passou a ser o produto vegetal mais explorado na região além e principal responsável pelo desenvolvimento da Amazônia na época, beneficiando principalmente a cidade de Manaus-AM e Belém-PA. O escoamento deste produto para o resto do mundo ocorreu graças ao desenvolvimento do sistema de aviamento.

O sistema de aviamento refere-se a venda de mercadorias antecipadas por meio de crédito. Trata-se de um método que se consolidou no período do Ciclo da Borracha como forma de comércio. A palavra aviamento surgiu do termo AVIAR, cujo significado se refere ao fornecimento de mercadoria em troca de outro produto. Nos seringais da Amazônia os serviços eram realizados em troca de sobrevivência dos trabalhadores dos seringais.

Pressionados pela crescente demanda internacional e beneficiados pelo aumento da arrecadação dos impostos, os governos provinciais e, após 1889, os estaduais, vão assumir como tarefa primordial o fomento da atividade extrativista e a consequente garantia do suprimento de borracha para o mercado mundial. Embora a carência endêmica de capitais na região tenha sido atenuada através da atuação direta das firmas internacionais, algumas das quais funcionando como verdadeiras agências de crédito, o obstáculo maior para a ampliação da produção regional persistia: a escassez de mão-de-obra [1]

A intensificação da exploração da borracha na Amazônia por volta de 1823 contribui para que o processo de ocupação desta região fosse acelerado. Cabe destacar que desde o século XVIII já havia interesse por parte dos cientistas europeus pelos produtos capazes de serem feitos a partir da borracha. Assim, além de exploradores, a região também foi ocupada por cientistas.

O látex foi levado à categoria de matéria-prima industrial a partir de 1823, com a descoberta da impermeabilidade por Macintoch, neste mesmo ano, e da vulcanização, por Goodyer, em 1839. Com a expansão do comércio da borracha, inicia-se nova fase de ocupação da Amazônia. A procura das árvores produtoras de látex – a seringueira e o caucho – faz com que a região seja quase totalmente explorada. Para conseguir braços, foi necessário incentivar a migração, já que os nativos e índios utilizados se mostraram insuficiente [2]

A borracha contribuiu para que milhares de nordestinos fossem para a Amazônia. Mas porque não foram trabalhar nas culturas de Café no Sudeste?

Uma pergunta que merece ser respondida é qual era a vantagem de migrar para uma região inóspita, quente e inabitada. Um dos primeiros motivos para a resistência de migrantes nordestinos irem para o sul, se dava porque viam a economia cafeeira como escravista. Os relatos de pessoas vindas da Amazônia também contribuíram, como no caso de Manoel Urbano, que depois de enriquecer virou lenda, transformando a Amazônia em um novo eldorado para as pessoas. 

Os nordestinos migraram para a Amazônia motivados também pela grande seca que assolaram o nordeste 1887, 1888 e 1889, trazendo para a região muitos homens. Foram levados 300 mil nordestinos para a região, para trabalharem como seringueiros; também foram atraídos estrangeiros, para as funções mais qualificadas. Esse grande contingente de nordestinos contribuiu para crescimento populacional da região amazônica, muito embora muitos tenham morrido ou retornado para seu local de origem [3]

Assim, tanto nordestinos quanto estrangeiros vieram com o objetivo de tirar proveito da atividade econômica da borracha. Os estrangeiros tiveram muito sucesso, agiam nas atividades comerciária, e a moeda de troca era a borracha, o tão chamado de sistema de aviamento. Como a moeda metálica não era comum, este sistema de crédito estabelecido funcionava através do escambo. Um sistema informal e eficiente de crédito que possibilitou a produção da borracha com custos baixos e em larga escala numa região antes inexplorada.” [4]  

O comércio da borracha deu muito lucro para as cidades de Manaus e Belém. Isso movimentou o fluxo migratório para a região, no entanto os preços da borracha iniciaram um rápido processo de queda. A decadência da borracha se deu pelo fato do preço do látex cair vertiginosamente no mercado mundial, voltando a subir novamente somente no final da década de 30 devido o fechamento dos seringais da Malásia em função da segunda guerra mundial. Neste período mais uma grande leva de nordestinos chegaram ao Acre e em grande parte da região Amazônica. No entanto, após a guerra tornou-se novamente inviável o comércio da borracha da Amazônia. A partir de então, o Governo Federal viabilizou projetos para dar continuidade a ocupação da região, sempre visando o crescimento da economia por meio da exploração das terras a partir da agropecuária e da economia extrativa.

[1] http://snh2007.anpuh.org/resources/content/anais/Maria%20Luiza%20Ugarte%20Pinheiro.pdf

[2] ESTEVES, Antônio. R. A Ocupação da Amazônia. Coleção Primeiros Passos, 1993

[3] MEIRELLES FILHO, João. Amazônia: o que fazer. Coleção Portas Abertas. Volume 7. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1986.

[4] http://www.cedeplar.ufmg.br/pesquisas/td/TD%209.pdf

A farsa da borracha se repete com o minério, um século depois | Portal OESTADONET

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