O analfabetismo político está em moda no país. Para contornar este cenário cabe aos professores e profissionais da geografia e da história esclarecer os conceitos políticos de “Esquerda” e “Direita” no tempo e no espaço.

Atualmente os termos “esquerda” e “direita” são usados como rótulos simbólicos para políticos liberais e conservadores, porém foram originalmente cunhados em referência aos arranjos físicos dos políticos no período da Revolução Francesa. Tentar compreender os conceitos de Direita e Esquerda sem estudar a Revolução Francesa é como tentar compreender como chegamos ao atual sistema econômico e produtivo sem estudar a Revolução Industrial.

O período que antecede a Revolução Francesa é caracterizado por um Estado centralizado e sustentado em uma sociedade de privilégios. Em meio a uma crise financeira, a França do século XVIII, ainda era governada por reis que não tinham qualquer pudor em gastar o dinheiro público com a luxuosa corte de Versalhes e com sucessivas guerras.

As sucessivas crises econômicas e politica geraram revoltas e até propostas de cobranças de impostos da nobreza e do clero, porém a elite não admitia perder privilégios, culminando com o abandono da medida (Será que esta questão tem semelhanças com o não cumprimento do que prevê a constituição brasileira sobre a taxação de grandes fortunas?).

A convenção nacional francesa (1792-1795) marca um período na qual os representantes tentavam estancar a revolução. Sentado a direita estavam os deputados girondinos, que tinham o objetivo de manter os privilégios da alta burguesia burguesia, além de um maior liberalismo da economia. Ao centro estavam os deputados da Planície, definidos como burgueses sem posição política. Podemos defini-lo como o famoso Centrão. E a esquerda estava o partido da montanha, formado por uma pequena burguesia que defendia o ideal de uma sociedade igualitária e um aprofundamento da revolução.

Em meados do século XIX, “esquerda” e “direita” haviam entrado no vernáculo francês como abreviação de ideologias políticas opostas. Além destes termos os partidos políticos também começaram a se identificar como “centro-esquerda”, “centro-direita”, “extrema esquerda” e “extrema-direita”. É importante lembrar que até o início do século XX estes rótulos políticos não eram comuns nos países de língua inglesa.

A partir da década de 1930, a divisão econômica veio à tona, com a esquerda defendendo o socialismo e a direita pedindo liberalização econômica. Atualmente uma das principais pautas no campo político é a liberalização de costumes sociais tais como: aborto, divórcio, homossexualidade, igualdade no casamento e eutanásia e imigração.

Neste sentido, a “esquerda” possui valores e ideais mais próximas aos das classes mais pobres enquanto que a “direita” é mais conservadora, representa ideais do mercado, o liberalismo econômico, entre outros.

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