Este artigo irá te ajudar a entender o que é Geografia, quais as definições que diferentes autores dão para esta ciência e as diferentes áreas da geografia.

Aparentemente a definição do que é Geografia parece algo simples, porém refere-se a uma área onde ainda reina uma certa polêmica quanto a sua melhor definição. Além disso, não podemos cair no erro de definir a Geografia como uma área somente das ciências humanas ou das ciências naturais. Isso contribui para entender que trata-se de uma área que está na interface das ciências humanas e naturais.

Alguns autores definem a geografia com uma área que estuda a superfície terrestre. Porém, trata-se de uma definição simples e ao mesmo tempo ampla, pois a superfície terrestre é composta por inúmeros agentes que contribuem para a sua formação e transformação.

Alguns autores definem a geografia como o estudo das relações entre o homem e o meio, ou seja, entre a sociedade e a natureza [1]. Neste caso, a Geografia seria considerada uma ciência localizada na interface entre as ciências naturais e humanas. Por isso, não seria totalmente correto tentar encaixar a Geografia como uma ciência humana nem tão pouco natural.

E isso de certa forma é extraordinário, pelo menos para os professores e geógrafos, pois é possível buscar respostas para problemas ambientais com base em sua natureza física e seus condicionantes humanos. O inverso também é aplicável. Assim, seria o profissional da geografia o mais indicado para estudos de impactos ambientais, socioambientais, socioeconômicos, entre outros.

Se você é professor ou profissional que trabalha na área de geografia certamente já deve ter respondido a dúvida de alguém sobre o que é geografia. As perguntas que envolvem o porquê e onde os fenômenos ocorrem certamente é uma das principais questões que definem a geografia, justamente por que está atrelada a questão da localização.

Neste sentido, a geografia é uma área que estuda o espaço geográfico, em qualquer escala (local, regional, nacional, global) sob uma ótima das relações entre o ser humano, que envolve os aspectos sociais, culturais e econômicos, e os aspectos ambientais, que por sua vez envolve questões relacionadas a geologia, climatologia, solos, vegetação, entre outros.

GEORGE (s/d) citado por Braga diz que a Geografia estuda “a dinâmica do espaço humanizado” através da técnica, da intencionalidade (possibilidades da ação humana) e das relações entre as forças naturais e as forças “históricas” [2]. E aprofunda a discussão afirmando que “A Geografia é a disciplina que procura descrever e interpretar o caráter variável da terra, de lugar a lugar, como o mundo do homem” e a Geografia é o “estudo que busca proporcionar a descrição científica da terra como o mundo do homem”

É impossível pensar a geografia apenas como a ciência da localização e da descrição dos fenômenos. Muito mais que isso, ela investiga a ação humana (em suas relações complexas) modelando a superfície terrestre, em parceria e/ou oposição à natureza, materializando tempos históricos [3].

A geografia também pode ser considerada uma ciência que nos ensina a “ler” a paisagem e a partir disso, nos possibilita entender a realidade existente neste espaço de relação entre os diferentes elementos que compõem e fazem parte da sociedade e da natureza. A prática da leitura e interpretação da paisagem geográfica pode ser desenvolvida ao longo de uma viagem, caminhada pelo parque ou dentro de uma sala de aula a partir de um planejamento que contemple a ludicidade deste conteúdo.

Geografia e a localização

Talvez você tenha aprendido na escola ou faculdade a localizar rios, cidades e capitais dos países em mapas utilizando o sistema de coordenadas geográficas. Saiba que esta é uma das principais tarefas da geografia. A localização de um lugar nos ajuda a analisar e interpretar as vantagens e desvantagens daquela localização.

Assim que os homens começaram a se afastar o suficiente de sua casas ao ponto de se perderem, foi preciso inventar formas de medir a distância percorrida, além de registrar a sua passagem pelos locais, afim de se localizarem no retorno. A necessidade de se localizar fez com que construíssem mapas para mostrar as distâncias e as direções. Os mapas se mostraram essenciais principalmente no período das grandes navegações. Na época, o trabalho de cartógrafo era bastante valorizado e apreciado nos países exploradores.

Descrição dos lugares

Localizar é somente a primeira etapa na ciência geográfica. Nem todas as pessoas se contentam em apenas conhecer a localização de um lugar, é preciso explora-lo, saber sobre as suas características naturais, culturais, entre outros.

Não tenho dúvidas de que você sabe a localização de uma cidade que gostaria de passar as suas férias, porém nunca conseguiu chegar até lá. Sabe até a localização, já pesquisou em sites, assistiu vídeos e filmes sobre o lugar. Tudo isso para conhecer mais sobre a natureza da região, a cultura, os lugares turísticas, os melhores hotéis, o que as pessoas costumam vestir, comer.

Outras pessoas poderia até querer saber como os habitantes locais utilizaram a terra, a arquitetura das casas, como são as estradas. Querem saber em que aspectos a região se assemelha com o local onde vivem, e o que difere este novo lugar de outros lugares. Enfim, mesmo que você não saiba, fazendo estas perguntas você está aprendendo sobre a geografia de um determinado lugar, ou seja, descrevendo um lugar a partir de suas características físicas e culturais.

Mudanças na face da Terra

Quase todo mundo já viu, seja na televisão ou em vídeos do Youtube, exemplos de mudanças de uso e ocupação na superfície da Terra. Algumas destas mudanças são feitas pelo próprio homem, como por exemplo, a construção de casas irregulares nas periferias das grandes cidades, alteração do curso de um rio ou córrego, construção de um parque ou a retirada da floresta para a construção de um estrada ou para o plantio de soja. Estas mudanças, umas ocorrendo mais rápidas que outras, são exemplos de como o homem possui uma grande capacidade em promover a alteração de um ambiente natural em um ambiente transformado.

Analisar as mudanças que ocorrem na superfície terrestre contribui para compreender como ocorrem, por exemplo, os deslizamentos e as enchentes nas grandes cidades, o processo de erosão nas margens dos rios ou a interferência das mudanças de uso da terra nas mudanças climáticas.

Relações espaciais

As relações espaciais interessam tanto aos geógrafos quanto aos astrônomos. Os astrônomos estudam principalmente as relações entre os planetas, as estrelas e outros corpos celestes. Os geógrafos limitam seu estudo às relações espaciais entre os pontos da Terra. Por exemplo, estudam como crescimento de uma cidade dependeu de um rio, e como a água do rio foi afetada pela cidade. Os geógrafos encaram os seres humanos em suas relações espaciais, assim como os historiadores vêem a vida humana em suas relações temporais [4].

Analisar as relações espaciais entre os diferentes fenômenos físicos contribuem, por exemplo, para saber se a retirada da vegetação em um determinado lugar contribui para a diminuição das chuvas naquele lugar, ou se o processo de erosão no campo está associado a pisoteio do gado ou simplesmente às características físicas do solo e a inclinação do terreno.

[1] MORAES, Antonio Carlos Robert. Geografia: pequena história crítica. Annablume, 2003.

[2] BRAGA, Rhalf Magalhães. O espaço geográfico: um esforço de definição. GEOUSP Espaço e Tempo (Online), n. 22, p. 65-72, 2007.

[3] Maria Eneida Fantin; Maria Tauscheck. Metodologia do ensino de geografia. Curitiba: Ibpex, 2005.
127 p.: 21 cm.

[4] Geografia – Wikipédia, a enciclopédia livre (wikipedia.org)

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