Ao sugerir a compra da terra da tribo Suquamish, o governo norte-americano demonstra uma falta de conhecimento e de respeito quanto aos povos originários daquela região. Essa falta de respeito dá origem a carta do Cacique Seattle.

Trata-se não apenas de respeito a um povo, mas de considerar que o dinheiro é capaz de comprar qualquer coisa, até os bens imateriais de um povo, tais como suas vivências e tudo o que é sagrado. E para os indígenas esta prática não é válida, pois a terra e tudo que há nela se constitui uma parte deles. Os rios, por exemplo, são como irmãos, que saciam e matam a sede, e por isso, merecem todo o cuidado e proteção.

É diante da impossibilidade de negociar aquilo que é sagrado, que faz parte da razão de ser dos indígenas que o cacique Seattle afirma que a ideia de vender a terra não tem sentido para eles. Porém, para o homem branco a ideia de vender e comprar terras é completamente normal, pois ao contrário da tribo Suquamish, a terra é somente um meio para subsistência, que após submetida aos seus interesses e uma vez saqueada, é deixada de lado. Para o homem branco a terra e tudo que há nela pode ser comprada ou roubada como se fossem coisas sem valor. 

Estas diferenças entre o homem branco e o homem vermelho com relação ao modo de ser e de se relacionar com a terra é algo que o cacique Seattle não consegue compreender, talvez porque o homem branco seja os civilizados enquanto que ele e sua tribo sejam os selvagens.

Ao supor a venda da terra, o cacique a condiciona a alguns critérios, tais como a sua conservação, tanto do ponto de vista físico quanto sagrado. Essa conservação poderá proporcionar, mais adiante, benefícios ao homem branco como sentir a brisa aromatizada pelas flores dos bosques, algo que não é possível sentir nas cidades construídas pelos homens brancos.

Diante da incompreensão do homem branco por aquilo que é sagrado para a tribo, o cacique também condiciona a venda da terra à forma como os animais deverão ser tratados. Deverão receber um tratamento digno, afinal são fontes de alimento e de manutenção da vida das pessoas, pois sem a existência dos animais, a vida humana seria inviável.

O cacique também tem certeza de que é o homem branco que pertence à terra e não o contrário, e que este é parte da teia da vida e não algo que está fora dela. Trata-se então, de reconhecer que fazemos parte da natureza e, por isso, devemos respeitar. Pelo contrário, tudo que fizermos a esta terra poderá se voltar contra nós mesmos.

Sendo a terra e o homem parte da criação, ofender a terra é insultar o seu Criador. Logo o Deus do homem branco não é diferente do Deus do homem vermelho. Diante disso, a carta do Cacique Seattle demonstra que se torna necessário reconhecer que devemos olhar para a terra e seus recursos enquanto fonte de vida e de subsistência da vida humana.

Confira a carta na íntegra

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