Me formei, cheguei até me escrever no CREA (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia), mas não estou conseguindo emprego na minha área de formação.

Antes de desistir, tentei de tudo: estudar para concursos públicos, enviar currículos para empresas de engenharia e órgãos públicos na área ambiental, anúncios em sites e jornais, mas não deu certo.

Então eu criei um perfil nas seguintes redes sociais: facebook, linkedin, Instagram, Twiter, OLX etc., para divulgar meus serviços, também deu errado. Ninguém sabe o que é Geógrafo e o que faz, menos alguns poucos familiares e alguns contatos da sua lista telefônica. Faço publicações todos os dias, desde leis na área ambiental até os benefícios do licenciamento ambiental. Mas nada dá certo, ninguém se interessa ou entra em contato para contratar meus serviços. Talvez seja o momento de criar um site pessoal.

Logo você cria um site, paga pelo domínio e a hospedagem, posta coisas bacanas e no primeiro mês não recebe nenhum visita, e em no segundo. Então descobre que é preciso investir em marketing online e se perde com a infinidade de informações e técnicas para divulgar o seu negócio. E então você desiste, pois tem pressa, porém não tem dinheiro.

Mesmo com tudo isso você não desiste. Já diziam os Coach’s (“profissionais” versados na arte de fazer você descobrir a sua verdadeira vocação…) que basta você querer. Querer é Poder, e lê uma infinidade de livros na área de desenvolvimento pessoal: Como ser Rico, Como sair da pobreza, Como ganhar mais dinheiro, Como viver mais, enfim, a lista de receitas prontas é grande. E basta adquirir o poder da intensão e logo terá sucesso. Repita todos os dias pela manhã, ficarei rico.

É claro que se espelhar em quem já conseguiu é importante, porém seguir, com disciplina, receitas dadas é pedir para fracassar, por isso, tenha cuidado com receitas fáceis para o sucesso.

Então, depois de todas as tentativas anteriores, o próximo passo é o cadastro em um site de empregos. Lá é possível encontrar empregos na minha área, mais logo me deparo com uma taxa de cadastro. Se não pagar esta taxa ninguém irá visualizar meu currículo.

Mas então como gerar lucro na geografia?

A primeira coisa que precisamos entender é que sem clientes não há Geógrafos. E pior do que estar sem clientes é ver as nossas atribuições sendo exercidas por milhares de outras profissões sem a devida qualificação técnica, somada a conivência do Crea e suas câmaras profissionais em relação a fiscalização do exercício profissional.

O elevado desemprego entre geógrafos tem sido resultado do descompasso existente entre as universidades e faculdades com o mercado de trabalho e os órgãos que fiscalizam a profissão. Estamos na iminência da popularização da tecnologia 5G, Internet das Coisas, Blockchain, Mudanças na área ambiental, etc., e ainda há cursos que possuem uma grade curricular voltada para o século passado e com viés totalmente acadêmico.

Uma parcela considerável de geógrafos não saem preparados para solucionar problemas da sociedade, captar e se relacionar com o cliente e nem empreender na área. Aliado a estes problemas grande partes dos professores que formam bacharéis em geografia não conhecem sequer a lei que disciplina a profissão e tão pouco são ativos no conselho profissional.

Uma das soluções para os profissionais que estão saindo da academia é procurar por cursos de especialização que ensinem e garantam extensão de atribuições ou até procurar ajuda de profissionais que constantemente precisam do auxilio de algum geógrafo como: engenheiros agrônomos, engenheiros civis, geólogos etc.

Há ainda a possibilidade de se relacionar com outros profissionais da área por meio das associações profissionais e sindicatos, dentre elas é possível citar a Aprogeo e o sindicato dos engenheiros do seu estado. A intenção é criar uma rede de relacionamento para a divulgação dos seus serviços.

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