Este texto tem como objetivo traçar um resumo das ideias principais apresentadas pela autora Nali de Jesus Souza em seu livro Desenvolvimento Econômico publicado pela editora Atlas em 1993. Entre os assuntos tratados por Nali destacam as ideias:

  • crescimento econômico,
  • desenvolvimento,
  • desenvolvimento econômico,
  • surgimento das crises econômicos e
  • diferenciação entre países ricos e pobres.

Destaca-se que este resumo não pode ser usado para substituir por inteiro teor o que está escrito no livro, e sim como uma breve referência do que você poderá encontrar e aprender com a leitura completa do livro.

As raízes do desenvolvimento econômico

O desenvolvimento econômico possui duas raízes, são elas: teóricas e empíricas. Todas elas são frutos das crises econômicas. Com relação as raízes teóricas e seus autores destacamos aqui Adam Smith que faz uma explica de como o mercado opera e qual a importância do aumento do tamanho dos mercados para reduzir os custos médios de produção.

Joseph Schumpeter também se configura como um dos principais nomes da questão teórica do desenvolvimento econômico, tendo como obra Teoria do Desenvolvimento econômico Schumpeter diferencia crescimento e desenvolvimento.  

Joseph Schumpeter. Fonte: https://terracoeconomico.com.br/

Sendo assim, as crises econômicas surgem durante as fases de ocorrência de ondas de inovações como a máquina a vapor e a eletricidade. Assim constatou-se que as crises se desenrolaram com intensidades variáveis, segundo os diferentes setores e regiões.

A questão do desenvolvimento econômico também ficou mais evidente no final dos anos de 1930, com a aplicação da contabilidade nacional. Com ela, passou-se a comparar a renda per capita dos diferentes países e a classificá-los em “ricos” e “pobres”.

Também temos a teoria do imperialismo que afirma que as economias pobres não podem se desenvolver se não romperem com os vínculos coloniais com os países de economia dominante. Contudo verificou-se que, o principal entrave ao desenvolvimento era de natureza política pois os países pobres se mantêm em uma posição subalterna em relação a divisão internacional do trabalho.

É possível citar como exemplo o Brasil, que enquanto um país pobre, importa produtos altamente industrializados como: chips, remédios e eletrônicos e exporta basicamente commodities como: soja, milho, minério e carne bovina.

Quanto a questão do desenvolvimento econômico trata-se de um conceito que não tem uma definição universalmente aceita. Contudo, economistas que possuem uma inspiração mais teórica afirmam que o crescimento pode ser consideração como sinônimo de desenvolvimento.

Há também que considerar que alguns consideram o crescimento algo puramente numérico enquanto o desenvolvimento se refere a melhoria da qualidade de vários indicadores, tendo como exemplo o Índice de Desenvolvimento Humano e o Índice de Desenvolvimento Municipal. Assim, o crescimento econômico seria apenas uma simples variação quantitativa.

Por tanto, a ideia é a de que o crescimento econômico, distribuindo diretamente a renda entre os proprietários dos fatores de produção, impulsiona a melhoria dos padrões de vida e o desenvolvimento econômico. Com isso, podemos afirmar que o desenvolvimento econômico não pode ser confundido com crescimento, por que os frutos dessa expansão nem sempre beneficiam a economia como um todo e o conjunto da população.

O desenvolvimento econômico, por conseguinte, é definido pela existência de crescimento econômico continuo (g), em ritmo superior ao crescimento demográfico (g`). O crescimento econômico (g) precisa, portanto, superar o crescimento demográfico (g`), para expandir o nível de emprego e a arrecadação pública. O subdesenvolvimento, por tanto, é definido pela insuficiência do crescimento econômico anual, em relação ao crescimento demográfico (g < g`).

A economia subdesenvolvida, no entanto, caracteriza-se, ainda, pela instabilidade e pela dependência econômica, tecnológica e financeira em relação aos países desenvolvidos.

A existência de baixo crescimento econômico seguida de alto crescimento demográfico é visto com certa preocupação. No Brasil, por exemplo, é visto que nos últimos anos, o padrão de vida da população mais pobre, em termos de renda média, vem diminuindo, devido a expansão demográfica, ao crescimento do desemprego e a lenta acumulação do capital.      

Quanto a correlação entre indicadores de desenvolvimento observa-se que há correlação entre crescimento da renda e declínio da mortalidade infantil. Por tanto, a variável declínio da mortalidade infantil correlaciona-se positivamente, na ordem, com o nível de educação feminina, nível de educação em geral, liberdades políticas e individuais.

Tendo em vista que o desenvolvimento econômico é definido pelo aumento contínuo dos níveis de vida, apenas o valor da renda per capita é insuficiente para refletir corretamente os diferenciais de desenvolvimento entre países ou regiões.         

Com relação a estrutura de uma economia subdesenvolvida a autora afirma que em sua forma mais primitiva, a economia subdesenvolvida encontra-se compartimentada em setores de subsistência, de mercado interno e de mercado externo. Quanto aos setores de subsistência podemos afirma que este é composto por latifúndios e por minifúndios improdutivos. Quanto ao setor de mercado interno este é ligado ao atendimento da população residente, ao fornecimento de insumos e serviços às empresas e pessoas ligadas ao mercado externo.   

Neste sentido à medida que uma economia subdesenvolvida se industrializa por substituição de importações, o setor externo (Mu) tende a crescer rapidamente. Se as exportações do meio rural e urbano não crescem rapidamente, em termo de quantidade e de valor, os déficits comerciais acabaram bloqueando o crescimento econômico.

Em suma, a base exportadora aparece como a causa do crescimento econômico das regiões subdesenvolvidas e como elemento dinâmico de aumento de eficiência e competitividade em economias industrializadas.

Em relação aos estrangulamentos do desenvolvimento podemos afirmar que a dificuldade em diversificar e expandir as exportações, concentração da renda e a insuficiência de capital constituem pontos de estrangulamentos que precisam ser vencidos, sob pena de bloquear o crescimento da economia.

Em suma, a transição de uma economia de subsistência a uma economia industrializada, com amplo setor de mercado interno, pressupõe a transposição de inúmeros obstáculos criados pelo próprio crescimento econômico.

O desenvolvimento nos países “subdesenvolvidos”

Nos países subdesenvolvidos, as políticas de desenvolvimento adotado pelos governos, desde a grande depressão da década de 1930, têm sido, basicamente, a de promover a industrialização, via substituição de importações, com incentivos eventuais às exportações e outras medidas pontuais.

No processo de desenvolvimento, no qual o setor de mercado interno se expande e o setor de subsistência se contrai, deslocam-se trabalhadores e atividades para o setor urbano-industrial. Cresce a produtividade da economia, por que a produtividade do setor de mercado interno é mais elevada do que a do setor de subsistência.

Com tudo, o desenvolvimento econômico é diferente do conceito de crescimento econômico e que autores como Adam Smith e Joseph Schumpeter contribuíram de forma significativa para a conceituação do que vem a ser desenvolvimento econômico e crescimento econômico. Vimos também como é o processo de desenvolvimento de uma economia com base no setor de exportações e importações e a relação do crescimento econômico com o crescimento demográfico.

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Referência

SOUZA, Nali de Jesus. Desenvolvimento econômico. São Paulo: Atlas, 1993.

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