A industrialização brasileira teve início, embora de forma tímida, em meados do século XIX. Somente no período que compreende a primeira guerra mundial (1914-1918) que o país passou por um significativo desenvolvimento industrial com a diversificação da sua matriz produtiva.

Essa diversificação ocorreu principalmente por causa da redução da entrada de mercadorias estrangeiras por consequência da guerra.

Neste período, o número de estabelecimentos industriais aumentou de forma acelerada, passando de aproximadamente 3135 entre os anos de 1910-1914 para cerca de 5936 estabelecimentos entre 1915 a 1919. É importante ressaltar que nesta época as fabricas brasileiras eram responsáveis por cerca de 70% da produção industrial do país, que se concentrava principalmente na área de roupas, tecidos, alimentos e bebidas.

Esta época também foi marcada pelo chamado ciclo do café, que teve grande importância para o desenvolvimento industrial brasileiro e principalmente para a área de infraestrutura, pois a produção de café exigia a construção de uma eficiente rede de transportes, principalmente de ferrovias. A produção de café também permitiu a acumulação de capitais, contribuindo para dinamizar e impulsionar a atividade industrial do país.

Com a crise de 1929 e o início da Segunda Guerra Mundial em 1939, a industria se diversificou ainda mais com a produção de aço, máquinas e material elétrico. Foi neste período que as atividades industriais brasileiras passaram a apresentar índices de crescimento superiores aos das atividades agrícolas, pois novamente havia uma redução de mercadorias estrangeiras entrando no país, incentivando desta forma, o desenvolvimento industrial nacional.

A crise financeira também contribuiu para o aumento da disponibilidade de mão de obra, que tinha origem nas grandes propriedades produtoras de café. São Paulo, que concentrava uma grande mão de obra, disponibilidade de capitais e infraestrutura básica, foi o estado mais beneficiado com diversificação da industria, seguido dos estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.

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Lago da Sé e Rua 15 de Novembro, centro financeiro de São Paulo (SP), em 1922. Fonte: http://www.spcity.com.br

Neste sentido, é possível delimitar a industrialização brasileira em quatro etapas, são elas:

Primeira etapa: Ocorreu entre 1500 e 1808. Neste período o país ainda era colônia de Portugal. Neste período o país não podia ter indústrias (salvo em casos especiais, como os engenhos). A produção da época era caracterizada por um regime artesanal.

• Segunda etapa: corresponde a uma fase que se desenvolveu entre 1808 a 1930, que ficou marcada pela chegada da família real portuguesa em 1808. Este período é caracterizado pela permissão portuguesa para a implantação de indústrias no país, pela grande produção de roupas, tecidos, alimentos, bebidas e café.

• Terceira etapa: período que ocorreu entre 1930 e 1955, momento em que a indústria recebeu muitos investimentos dos ex-cafeicultores. Houve a construção de grandes vias de circulação de mercadorias e matérias-primas, proveniente das evoluções nos meios de transporte que facilitaram a distribuição de produtos para várias regiões do país.

• Quarta etapa: teve início em 1955, e segue até os dias de hoje. Essa fase foi promovida inicialmente pelo presidente Juscelino Kubitschek, permitindo a entrada de recursos e capitais estrangeiros em forma de empréstimos e também em investimentos com a instalação de empresas multinacionais. Mesmo com o grande crescimento da industrialização nesse período o modelo adotado não foi o mais inteligente, pois não permitiu que houvesse um crescimento da industrialização brasileira de forma sustentável e que permitisse uma absorção das tecnologias estrangerias por partes das empresas brasileiras.

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