Caminhar pela trilha da geopolítica mundial é algo extremamente perigoso, até para geógrafos que possuem disciplinas de política e geopolítica em seu componente curricular. Mesmo com este limitado conhecimento que temos da área, ainda somos capazes de nos aventurar por discussões geopolíticas, tendo opiniões e ideias muito mais aprofundadas do que, as propagadas pela grande mídia, sempre tentando errar o menos possível e tratar a situação sob um ponto de vista não midiático e especulativo, da qual temos vistos em jornais de grande circulação no Brasil.

A discussão deste tema: Algumas ditaduras são melhores que outras, se faz importante nos dias atuais, principalmente em um momento onde o governo americano impõem duras sanções a Venezuela ao passo que mantém relações estreitas com a Arábia Saudita.

É claro que, esta simples matéria não pretende esgotar a discussão do tema, afinal, as relações geopolíticas entre os países não são estáticas e mudam constantemente. O enfoque adotado aqui, leva em consideração o que se sabe atualmente, considerando o que foi divulgado por meio de jornais e sites oficiais. E estas informações e dados constituem a base para a opinião geográfica apresentada aqui.

A Venezuela, outrora prospera, se encontra em grandes dificuldades econômicas, mesmo tendo as maiores reservas de petróleo comprovadas de todo o planeta. Diante das dificuldades que o país se encontra, milhares de pessoas tem procurado oportunidades em países vizinhos como: Equador, Colômbia, Chile, Argentina, Peru e Brasil.

A Arábia Saudita, comandada pelo Rei Mohammad bin Salman, é considerada uma monarquia absoluta. Dessa forma o rei não é apenas o chefe do estado mas também o governo. Isso quer dizer, que caso não haja nenhuma revolução, o seu reinado será estendido por gerações através de seus familiares.

Então o que há de comum entre a Arábia Saudita e a Venezuela? As gigantescas reservas de petróleo talvez seja a maior semelhança. Ambos também possuem lideres que desejam se perpetuar por muitos anos, porém a Venezuela não tem, talvez o mais importante: um inimigo americano para combater, que no caso Saudita é o Irã.

Diante disto, um dos maiores erros ou virtude do governo venezuelano é se opor ao grande Tio Sam, que em nome da liberdade capitalista esta promovendo sanções terríveis contra nossos amigos sul-americano. Por outro lado, as relações entre a monarquia absoluta/ditatorial e os EUA seguem mais fortes a cada ano, principalmente por que os EUA veem na Arábia Saudita um aliado contra a hegemonia Iraniana na região.

Com isso, o próprio Irã é um dos motivos pelos quais EUA e Arábia Saudita são aliados. A queda do líder Saddam Hussein no Iraque gerou um vácuo de poder no Oriente Médio. Desde então, Arábia Saudita e Irã procuram se firmar como principal potência da região, tendo ambos os países cortado relação diplomática desde 2016. De acordo com os EUA o Irã possui uma conduta inaceitável em diversos áreas, tendo como exemplo o programa nuclear Iraniano.

E o inimigo da Venezuela? Ah, este é o próprio EUA. Que na opinião contraria, seria o próprio governo venezuelano. Iniciada na gestão Obama, as sansões contra a Venezuela foram amplamente estendidas sob Trump para atingir a economia venezuelana, interrompendo progressivamente o comércio de dívidas e títulos venezuelanos, ouro e petróleo, além de bloquear as transações do banco central.

No auge das sanções, eis que surge Juan Guaidó, um líder carismático de 36 anos e com mais de uma semelhança com o ex-presidente Barack Obama. Cansados de décadas de Revolução Bolivariana, multidões se concentram nas ruas para vislumbrar o homem que desafia o presidente Nicolás Maduro. Será que a mesma revolta poderia acontecer na Arábia Saudita?

Mesmo com o forte apoio popular, coragem e apoio internacional, a revolução do “poder do povo” de Guaidó está, pouco a pouco, perdendo forças. Mesmo, com apoio de quase todos os países sul-americanos, Europa e os Estados Unidos, não se sabe até quando Juan Guaidó irá conseguir manter seus aliados de oposição neste conflito de interesses.

Washington havia previsto uma vitória rápida com o aumento das sanções econômicas e o amplo apoio a Guaidó, tendo como um dos pretextos livrar a Venezuela do socialismo. Porém, com a retomado do crescimento econômico venezuelano, visualizado em alguns indicadores, a situação para os oposicionistas poderá ficar ainda mais difícil.

Todos estes fatos revelam que os “nossos amigos” norte americanos, os responsáveis por tomar as decisões politicas, preferem ajudar e se relacionar com países que se alinham as suas pretensões ideológicas. E aqueles países que buscam a sua independência, em todos os aspectos, sofrem consequências da ousadia, principalmente quando se refere aos países sul-americanos, que em algumas situações, continuam sendo o quintal dos EUA.

Referências Consultadas

Banco Central da Venezuela

http://www.bcv.org.ve/estadisticas/series-historicas-tasas-de-interes

Casa Branca

https://www.whitehouse.gov/briefings-statements/remarks-national-security-advisor-ambassador-john-r-bolton-administrations-policies-latin-america/

Financial Times

https://www.ft.com/content/396650ba-b2e4-11e9-bec9-fdcab53d6959

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