Há uma guerra em curso, e os drones são o modo mais refinado, mais preciso e mais humano de conduzi-la (Jeff Hawkins).

A revolução tecnológica e quase imperceptível que está ocorrendo por meio dos drones está mudando a forma como as guerras são conduzidas. E principalmente, modificando a relação do estado com seus próprios cidadãos.

A distância entre quem mata e quem morre passa a ser primordial, pois para um soldado matar quando não se vê a cara do seu suposto inimigo é muito mais fácil. É claro que a violência humana ocasionada em campo de batalha é por vezes devastadora, porém quando se vê o inimigo cara a cara é muito mais provável que um soldado se identifique com ele do que quando está operando um equipamento a distância.

Para efeitos de entendimento é possível afirmar que qualquer máquina pilotada ou comandada pode ser “dronizada”. Por isso, podem existir drones terrestres (maquinas remotamente controladas como tratores ou até carros), marítimos, submarinos e até subterrâneos. Neste caso devem ser pilotados a uma certa distância para serem consideradas um drone.

Referente às máquinas que voam, em 2015 os Estados Unidos tinham 6 mil drones sendo que 160 desses eram do modelo Predator da Air Force.

O Predator é um veículo aéreo não tripulado capaz de alcançar até mil quilômetros de distância e voar por 24 horas consecutivas. Começou a ser produzido em 1994 e atualmente ainda representa umas das armas mais avançadas utilizada pelos Americanos em guerras ao redor do mundo.

Para o exército a vantagem dos sistemas de aeronaves pilotadas de forma remota é que permitem projetar poder de ação sem projetar riscos de vida para os soldados envolvidos na guerra. As lentes das aeronaves não possuem pálpebras, por isso, podem vigiar continuamente. As aeronaves não reclamam, logo podem voar 24 horas por dia sem pedir para descansar ou retornar para casa.

Os drones rompem com a lógica da guerra

No campo da Ética militar, quando o dispositivo telecomandado torna-se maquina de

guerra, o inimigo é que é tratado como material perigoso. Eliminam-no de longe, observando-o morrer na tela a partir do casulo aconchegante de uma zona segura e climatizada distante a milhares de quilômetros de onde está realmente ocorrendo o conflito. Essa disparidade de forças entre os oponentes estão criando guerras assimétricas, onde uma lado é totalmente dizimado enquanto do outro lado ninguém sofre nem ao menos um arranhão.

Um dos primeiros registros do uso de drones em guerra ocorreu em 1973 quando o Tsahal, o exercito israelense, enfrentou por sua vez, diante do Egito, o problema tático dos misseis terra-ar. Depois de perder cerca de trinta aparelhos durante as primeiras

horas da Guerra do Yom Kippur, a aviação do Estado hebreu mudou de tática. Decidiu-se enviar uma onda de drones para enganar as defesas adversarias: “Depois que os egípcios atiraram sua primeira salva contra os drones, os aviões de combate puderam passar ao ataque enquanto o inimigo se recarregava”. Nesta época estes veículos aéreos não tripulados não passavam de dispositivos de informação e inteligência. Não eram armas empregadas para matar.

Alguns meses após os atentados de 11 de Setembro em 2011 o drone Pradator, originalmente desenhado e desenvolvido por Al Ellis e agora pertencendo as forças norte americanas é equipado com um míssil Hellfire AGM-114C, passando de um simples apoio na geração de informações estratégicas para tropas em solo e para aeronaves tripuladas para agora uma verdadeira máquina de guerra, ceifando vidas já na guerra do Afeganistão.

Na atualidade o paradigma não é duas pessoas que se enfrentam, mais de um caçador que avança e uma presa que foge. Sob esta ótica o objetivo do caçador é alcançar e abater a presa. A presa por sua fez obterá a vitória caso consiga fugir e assim sobreviver.

A vigília geoespacial constante do olhar institucional

 

Não se combate mais o inimigo. Ele é eliminado sumariamente da mesma forma que se mata um animal qualquer. Conforme afirma Gregorie Chamayou, autor do livro Teoria do Drone, é uma matança de mão única. O mais rico contra o mais pobre. A tecnologia mais avançada contra o que não possui tecnologia alguma.

Recentemente uma pesquisa realizada pela Interact Analysis afirma que o setor policial e de monitoramento por drones terão um crescimento de aproximadamente 110% até 2022. Isso representa uma disseminação do uso deste equipamentos por forças policiais e por diversos órgãos do governo. Não é loucura afirmar que é questão de tempo para que drones policiais se tornem comuns no patrulhamento das cidades e quem sabe até tenham poder de fogo para abater possíveis suspeitos de cometer crimes.

Diante desta iminente possibilidade já é possível observar o surgimento de organizações contrárias ao uso de armas autônomas para fins militar. Um destes movimentos é a Campanha para parar com os robôs assassinos, que pode ser acessada pelo site: https://www.stopkillerrobots.org/. É um dos poucos movimentos que se preocupam com o futuro das máquinas autônomas e com as possibilidades negativas que estas tecnologias poderão nos oferecer no futuro.

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Fontes consultadas

https://www.stuff.co.nz

Livro Teoria do Drone – Autor: Gregorie Chamayou.

 

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