O Brasil está prestes a sofrer um duro golpe ao inviabilizar o censo demográfico, que não ocorreu em 2020 devido aos problemas gerados pela pandemia. Ocorre que recentemente o Governo Federal resolveu cortar 90% da verba destinada para a realização do Censo [1]. O fato ocorre justamente há alguns dias depois do perdão de 1,4 bilhão [2] em dívidas de igrejas, fato acordado entre a presidência da república e o congresso nacional.

As origens do Censo

A palavra Censo se origina do latim censos que significa “conjunto de dados estatísticos dos habitantes de uma cidade, província, estado ou nação”. Estima-se que o primeiro censo tenha ocorrido na China. Por volta do ano 2238 a.C o imperador chinês Yao mandou realizar o censo da população e das lavouras cultivadas.

Os romanos e os gregos realizaram censos por volta dos séculos VIII ao IV a.C. Outros imperadores realizaram o censo para conhecer os quantitativos populacionais, e com isso, cobrar impostos. A punição para quem não respondia geralmente era a morte [3]

No Brasil, o Censo demográfico é uma atividade de responsabilidade do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O primeiro censo foi realizado em 1872, seguidos pelos de 1890, 1900 e 1920. Atualmente o censo é realizado a cada dez anos. Devido a problemas ocasionados pela Pandemia o próximo censo foi adiado para o ano de 2021, porém corre sérios riscos de não acontecer devido aos cortes orçamentários feitos nos últimos meses.

O Censo é primordial para o planejamento

O censo é uma atividade primordial para o processo de planejamento do país. Sem ele, não saberemos os próximos passos a serem tomados com relação as políticas públicas. O planejamento é uma atividade universal do homem. Em maior ou menor extensão, todos nós planejamos; mas nem toda decisão pode ser tida como decisão planejada.

O planejamento implica fazer certas coisas. Esse fazer certas coisas resulta na formulação de planos de ação. O planejamento é por vezes, definido como sendo um meio de resolver problemas de maneiras mais ou menos racional; os planos são por outro lado, aqueles documentos que dão corpo a tais decisões.

O planejamento é um processo dinâmico. Os planos tem características estáticas: são impressos, encadernados, lidos e etc. O planejamento não pode ser lido: é uma atividade contínua. Pode-se dizer que planejamento é uma tentativa de resolver racionalmente os problemas que nos afetam. É possível aplicar técnicas de planejamento a toda situação que exija de nós uma decisão.

Os dados do censo podem contribuir para:

  1. acompanhar o crescimento, a distribuição geográfica e evolução das características da população ao longo do tempo;
  2. identificar áreas de investimentos prioritários em saúde, educação, habitação, transportes, energia, programas de assistência a crianças, jovens e idosos;
  3. selecionar locais que necessitam de programas de estímulo ao crescimento econômico e desenvolvimento social;
  4. fornecer referências para as projeções populacionais com base nas quais é definida a representação política no País, indicando o número de deputados federais, deputados estaduais e vereadores de cada estado e município; e
  5. fornecer subsídios ao Tribunal de Contas da União para o estabelecimento das cotas do Fundo de Participação dos Estados e do Fundo de Participação dos Municípios [4]

Por tanto, sem as informações do censo se torna praticamente impossível realizar um planejamento racional das decisões governamentais futuras. Neste caso, sem o censo, não há planejamento. Sem planejamento, estaremos entregues à própria sorte.

Referências

[1] Censo 2021 sofre corte de 90% no orçamento e IBGE pede orientação | A Gazeta

[2] A pedido de Bolsonaro, Congresso derruba veto e permite perdão de R$ 1,4 bi em dívidas de igrejas | Política | Valor Econômico (globo.com)

[3] História do Recenseamento | Passei Direto

[4] IBGE | Censo 2021 | Por que fazer o Censo demográfico

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