A expansão imperialista na China e a guerra do ópio

Antes de iniciar o artigo, você precisa saber que para entender a questão atual do conflito envolvendo a China e Hong Kong, é preciso primeiramente retroceder ao século XIX para saber como esta região ganhou características culturais próprias, e onde em certos aspectos se assemelha mais à cultura ocidental do que a cultura asiática. O entendimento da questão atual só é possível de ser compreendida por meio da análise da expansão imperialista na China.

A importância da China para as grandes potências do século XIX

No século XIX a China era uma região de grande interesse das potências imperialistas ocidentais como a Grã-Bretanha, Alemanha, França e Estados Unidos.

Tal interesse era devido a enorme população da China, que representava um importante mercado consumidor. Além disso, era um país com enorme extensão territorial, detentor de muitas matérias-primas.

Para os países mais desenvolvidos tratava-se de um lugar onde podiam ser investidos capitais na indústria e nos transportes. Porém, como o governo chinês era centralizador, isso acabava colocando muitos obstáculos à invasão estrangeira e ao acesso ao seu mercado consumidor.

Mesmo sendo um governo centralizador, uma empresa chamada Companhia das Índias Orientais Britânicas, de origem inglesa, comercializava em todo o território Chinês. Um dos principais produtos comercializados era o ópio.

Estima-se que, em 1836, mais de 12 milhões de chineses consumiam ópio regularmente, o que representava um grande problema para as autoridades chinesas, pois o vício destruía famílias e indivíduos.

Além disso, muitas pessoas deixavam de cultivar alimentos para plantar papoulas, planta que dava origem ao ópio. Tudo isso, causou um grave problema financeiro para a China, pois os chineses pagavam pelo ópio com moedas de prata, levando a uma fuga do metal precioso do país.

Papoila ou papoula, também conhecida vulgarmente como papoila-brava.

Como resposta à fuga da prata e aos problemas que o consumo do ópio estava causando, o governo chinês, na primeira metade do século XIX, tentou impedir a comercialização de ópio.

Tendo como objetivo assegurar a continuação da venda da droga, a Grã-Bretanha iniciou a Guerra do Ópio em 1839, tendo fim somente em 1842.  

Incapaz de vencer a guerra, a China se rendeu e assinou, em agosto de 1842, o Tratado de Nanjing ou Nanquim, que determinava a abertura de alguns portos chineses ao comércio com a Grã-Bretanha e ainda transferia a ilha de Hong Kong ao domínio britânico.

A resistência chinesa

Nas últimas décadas do século XIX, houve um aumento considerável da pobreza no campo. E isso contribuiu para um aumento da criminalidade, preocupando as autoridades chinesas. Além disso, missionários alemães, com o apoio de comunidades cristãs, empreenderam violentas ações contra os chineses não cristãos, o que desencadeou um forte sentimento antimissionário entre os chineses.

Com isso, muitos chineses passaram a organizar sociedades secretas para defender seus interesses políticos, econômicos e territoriais, combater a ação dos bandidos e expulsar os estrangeiros do país.

Uma das sociedades mais importantes, a Sociedade dos Punhos Harmoniosos e Justiceiros, combinava duas tradições dos camponeses chineses: o boxe chinês e o xamanismo, que era um conjunto de rituais e práticas mágicas conduzido pela comunidade para exercer a função sacerdotal.

Os boxes, como ficaram conhecidos os membros da Sociedade dos Punhos Harmoniosos, ocuparam parte da cidade de Pequim em meados de 1900, incendiando e isolando diversas áreas, inclusive representações diplomáticas estrangeiras. O governo chinês, que na época era comandado pela imperatriz Cixi, apoiou a revolta e declarou guerra às potências imperialista.

Imperatriz Cixi ((1835-1908) 

Como resposta à declaração de guerra chinesa, Grã-Bretanha, Japão, França, Rússia, Alemanha e Estados unidos organizaram uma ação conjunta para combater a rebelião, o que resultou na invasão de Pequim.

Não tendo forças o suficiente para vencer a guerra, a China assina, em 1901, um acordo de paz com as potências imperialistas.  Os boxes foram derrotados, perseguidos e muitos foram fuzilados. As nações vencedoras também exigiram uma indenização de aproximadamente 333 milhões de dólares, que seria paga em quarenta anos, com juros acima dos praticados na época.

Além disso, para garantir sua integridade e unidade territorial, a China foi forçada a fazer inúmeras concessões econômicas às potencias imperialistas, dificultando o seu desenvolvendo naquele período.

A expansão imperialista na China no século XX e a retomada de Hong Kong

Entre 1879 e 1905, a China volta a ser invadida, mas dessa vez a invasão ocorre pelos britânicos, franceses, estadunidenses, russos, alemães e japoneses, que, além de se instalarem no país, ainda obtiveram alguns direitos comerciais.

Hong Kong volta ao controle chinês somente em 1997, porém agora como um território autônomo. Destaca-se que a era colonial teve grande influência na atual cultura de Hong Kong, sendo muitas vezes descrita como o lugar onde o “Oriente encontra o Ocidente”.

A forte raiz cultural vinda do ocidente talvez seja um dos motivos da resistência em se tornar uma área definitivamente interligada à China, mesmo tendo uma população composta por 95% de pessoas de etnia chinesa e os outros 5% de outros grupos étnicos.

Imagem da região autônoma de Hong Kong

Neste sentido, a expansão imperialista na China e a guerra do ópio lançam luz sobre a atual situação envolvendo Kong Kong.

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Referência consultada

FERNANDES, Ana Claudia. História. 1. ed. São Paulo: Moderna, 2018.

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