Todo cidadão bem educado ou mal educado, passou pelas mãos de professores de geografia. Estes lhes ensinam a interpretar o mundo do ponto de vista das diversas relações espaciais que ocorrem ao longo do tempo, tanto em escala macro quanto local.

Então, por que estamos falando de uma crise da licenciatura em geografia, se esta é uma profissão tão importante para a nossa sociedade?

A crise da qual falamos é a crise da baixa procura pela profissão, da alta taxa de abandono do curso em várias universidades brasileiras, dos alunos que se formam e não atuam na área, da formação deficitária que vários cursos estão dando aos discentes de cursos de licenciatura em geografia e demais cursos.

Todos estes problemas juntos estão ocasionando à diminuição da oferta desses profissionais no mercado de trabalho, podendo num futuro não muito distante haver a falta de professores em diversas áreas do conhecimento.

Outra informação que chama a atenção quando tratamos deste assunto é que a maioria dos professores gostam de sua profissão, porém poucos a recomendam como uma área a ser seguida. Esta, aliada outros fatores ajudam a explicar o por que da profissão docente ser tão pouca procurada nos dias atuais.

Silva (2018), realizou uma pesquisa do dinamismo da concorrência para o curso de geografia nos processos seletivos da Universidade Estadual de Goias entre os anos de 2001 a 2017. Este estudo demonstrou que houve uma queda acentuada na procura por cursos de licenciatura, incluindo a geografia. Em 2001 a concorrência do curso foi de 12,4 pessoas por cada vaga disponível, enquanto que em 2016 a concorrência foi de 3,8 pessoas por vaga. A queda da concorrência indica o quanto é complexa a situação pela qual o curso de geografia passa.

A queda na concorrência aliada a diminuição de profissionais que trilham a docência em geografia também é vista em diversas universidades presentes em todas as regiões brasileiras.

Diante do iminente cenário de catástrofe no ensino, o governo tenta, a partir de algumas políticas públicas incentivar a área docente com o oferecimento de bolsas, a simplificação no processo de financiamento de cursos, reforma curricular das licenciaturas, valorização profissional e possibilidade de certificação de competências profissionais.

Muitas sãs as intensões de melhoria, porém na prática poucas medidas foram adotadas para este setor. Para que o professor seja valorizado pelo menos três medidas deveriam ser implementadas com uma certa urgência, são elas:

– Valorização profissional por meio de melhores salários

– Melhoria nas condições de trabalho

– Reconhecimento social do professor por toda a sociedade brasileira.

Todos sabemos que estas medidas ainda não foram implementadas de fato na educação básica brasileira. Mais aguardamos ansiosamente o dia em que os professores no Brasil terão um salário digno, serão reconhecidos pela sociedade. Aguardamos o dia em que a Geografia terá o respeito a que merece pela sociedade brasileira.

Referências

Artigo: Baixa Concorrência nos vestibulares para curso de licenciatura em geografia na UEG, Campus Formosa: possíveis implicações no ensino de geografia. Autora: Alcinéia de Souza Silva Contato: alcineias32@gmail.com. Revista Brasileira de Educação em Geografia, Campinas, v. 8, n. 16, p. 05-18, jul./dez., 2018.