O que é globalização?

A globalização é considerada um “processo de aprofundamento da cooperação e integração dos países no campo econômico, cultural, social e político”. Este processo se intensificou graças a redução dos custos dos transportes e da comunicação, principalmente a partir do final do século XX e início do século XXI.

Destaca-se que a Globalização teve três momentos-chave ao longo dos últimos anos. O primeiro foi o estabelecimento do padrão dólar em 1971. Este padrão começou a se intensificar após a Segunda Guerra Mundial, sendo estabelecido pelos acordos de Bretton Woods ao qual muitos países fixaram suas taxas de câmbio em relação ao dólar norte americano.

O segundo momento foi a queda do Muro de Berlim em 1989. Este acontecimento contribuiu para acelerar as reformas nos países que antes eram socialistas, possibilitando um novo impulso a integração dos países por meio da mobilidade de capitais e do comércio internacional, pois antes estes países possuíam economias fechadas.

O terceiro momento que deu um impulso ainda maior no processo de globalização foi a criação da Internet e da Web a partir de meados dos anos 90. A internet permitiu a ampliação da circulação financeira e das informações a uma taxa nunca antes vistas na história da humanidade.

Estes momentos, que propiciaram o avanço do processo de globalização, permitem avaliar que as dimensões da globalização têm sido analisadas de forma simplificada e discutida como uma simples abertura comercial e geração de um ambiente onde as mercadorias e as pessoas possam circular livremente. Porém, cabe destacar que este processo tem causado impactos negativos para a sociedade como a ampliação da desigualdade e a destruição da capacidade produtiva de alguns países que optaram por abrir suas economias de forma equivocada como é o caso da economia brasileira. 

O termo globalização é geralmente utilizado para descrever o processo de evolução e aprofundamento de algumas tendências capitalista a partir de meados do século XX. Esta tendência se refere sobretudo na questão dos ganhos de produtividade e escala, impulsionados pela evolução da tecnologia e pela expansão dos mercados, permitindo que grandes empresas e corporações pudessem expandir suas atividades para todo o planeta.

O cenário se completa com a concentração do setor produtivo. A enorme escala de investimentos necessários e o alto custo de inserção global tendem a um processo de concentração que habilitará apenas um conjunto restrito de empresas a competir ferozmente por preço e qualidade. Neste sentido, a globalização tende a produzir um cenário aonde um pequeno conjunto de corporações mundiais decidem o que, como, quando e onde produzir os bens e serviços utilizados pelos seres humanos [1]

Se para alguns países a globalização traz benefícios, para outros, poderá trazer desvantagens, isto porque, retira emprego de uns e “desvia” por meios monetários para outros países, que até poderá ser mais rico que qualquer um dos outros países alvo de centralização [2].

Em resumo, o aspecto mais notório da globalização na atualidade é, sem dúvida, o crescente predomínio dos processos financeiros e econômicos globais sobre os nacionais e locais. A generalização do livre comércio, o crescimento no número e tamanho de empresas transnacionais que funcionam como sistemas de produção integrados e a mobilidade de capitais são, de fato, aspectos destacados da atual globalização [3]

A Globalização no Brasil

No final do século XX, o crescente processo de globalização contribuiu para o surgimento de novas oportunidades oferecidos ao capital de se valorizar em outros países. Uma das principais contribuições para esta expansão foram as profundas mudanças que ocorreram nos países em desenvolvimento relacionadas principalmente à privatização de empresas estatais e a abertura de seus mercados para o grande movimento de capitais. Cabe destacar que a maneira como estes países abriram suas economias contribuíram de forma decisiva para o seu sucesso ou fracasso décadas depois.  

O Brasil passou a abrir sua economia para o mundo a partir dos anos 1980. Embora tenha seguido as recomendações de instituições financeiras internacionais quanto a essa abertura, a realidade socioeconômica do país não apresentou melhoria. Desde a abertura econômica o nível de desigualdade continuou elevado.

As mudanças profundas experimentadas pela economia brasileira se manifestaram também em suas trocas com o resto do mundo. No passado, os setores exportadores dominantes eram sobretudo aqueles ligados aos produtos oriundos do setor primário, ou seja, a agricultura e os minerais. Ao longo dos últimos anos, no entanto, a composição das exportações sofreu alterações profundas: os produtos
considerados intermediários (bens semimanufaturados) e alguns produtos de alta tecnologia apresentaram um rápido crescimento relativo [4]. Porém, mesmo com essa melhoria a indústria ainda estava assentada na produção de bens com baixo teor tecnológico ou baixo valor agregado.

A indústria brasileira não conseguiu dar os saltos tecnológicos que deram países como a China e a Coréia do Sul, basicamente porque adotou uma estratégia de atrair multinacionais sem que houvesse alguma contrapartida para que estas empresas contribuíssem com o crescimento tecnológico do país.

Neste sentido, não é a globalização em si mesma a “culpada” do fraco desempenho do crescimento econômico brasileiro, da manutenção das desigualdades em níveis tão elevados, nem do crescimento das condições de precariedade de vida da população. A responsabilidade deve ser buscada no contexto das altas desigualdades, na maneira em que a mundialização opera, na fraqueza das políticas públicas de apoio as empresas locais, principalmente às ligadas aos setores de alta tecnologia, na maneira pela
qual se realiza a abertura econômica e também na gestão da dívida interna favorecendo as atividades financeiras em detrimento dos investimentos públicos na capacidade produtiva do país. [4]  

A Globalização e seus malefícios

Talvez os malefícios sejam muito mais perceptíveis em nações pobres e em desenvolvimento do que propriamente em países considerados desenvolvidos e industrializados. A discussão dos malefícios da globalização ocorre em diferentes frentes tais como: aumento da riqueza dos mais ricos; protecionismo dos países mais ricos, não permitindo o crescimento de nações em desenvolvimento; imposição de políticas públicas por grandes bancos e corporações visando austeridade fiscal, privatizações e diminuição de direitos trabalhistas, precarização do trabalho, entre outros.  

A discussão dos benefícios ou malefícios da globalização ocorre devido a acelerada concentração de riqueza nas mãos de poucas pessoas. Neste processo, os ricos estão cada vez mais ricos e os pobres, cada vez mais pobres. Alguns autores defendem que o possível fracasso da globalização não é culpa do próprio sistema capitalista, mas do fracasso e efeitos perversos das instituições multilaterais, especialmente o FMI e o Banco Mundial e de políticas públicas que priorizam algumas empresas em detrimento do coletivo.

Um dos motivos para o fracasso do processo de globalização seria a adoção de políticas maléficas, principalmente em países em desenvolvimento, que prioriza a austeridade fiscal, as altas taxas de jurus, a liberalização do comércio, a privatização e reestruturação do mercado financeiro. Tudo isso para se ajustar a uma possível agenda internacional.

As transformações rápidas e profundas geradas pela globalização têm tido um grande impacto sobre os movimentos migratórios, mas de forma ainda segmentada e contraditória [2] De acordo com alguns economistas a globalização caminha para um livre mercado, porém cabe ressaltar que nunca houve um livre mercado no sentido que os economistas defendem. O mundo sonhado por Adam Smith e de seus seguidores de que um mercado livre deixara todos em uma melhor situação é uma ilusão. Um mundo controlado somente pelo mercado certamente seria mais perigoso para as pessoas mais pobres também para os países em desenvolvimento. É também um mundo no qual riscos não têm importância e podem ser evitados, a competição é sempre perfeita, sem Microsofts ou Intels dominando as áreas [5].

Com isso, não há que se falar em livre mercado com a presença de grandes monopólios. Mesmo que não houvesse monopólios nas diferentes áreas da economia, as empresas tendem a se tornar monopolistas por que ao contrário do que muitos pensam, as empresas odeiam a competição. Dominar um mercado sozinho é muito melhor do que competir com concorrentes de peso. Esta situação demonstra a importância de um Estado forte para controlar o apetite do mercado.

Benefícios da globalização

Mesmo tendo muitos fatores negativos é possível citar alguns benefícios da globalização, que até o presente momento favoreceu principalmente os países ricos e os grandes conglomerados empresariais. Logo abaixo é pontuado alguns benefícios da globalização conforme Paulo Kliass e Pierre Salama [4].

1. A expansão mercantil através da conquista de novos mercados pela introdução dos produtos em mercados potenciais;

2. Disponibilidade de capital volátil, através dos investimentos estrangeiros de caráter especulativo e/ou transitório;

3. Investimentos feitos pelas empresas buscando ampliar a tecnologia para se tornar competitivo;

4. Aumento da produtividade por conta do aumento em escala, visando à exportação para o mercado global através de incentivos, reduzindo os custos, automaticamente se tornando competitivos – toda produção é pensada globalmente;

5. O acesso à tecnologia – pode-se dizer que, dentre os muitos fatores influentes, os que mais se destacam são o nascimento da Internet e os sofisticados meios de comunicação da atualidade (A tecnologia da informática aliou-se a das telecomunicações), que intensificaram as relações internacionais, aproximou interesses que norteia a sociedade tanto nos campos político, econômico, tecnológico como social (com a queda das barreiras comerciais).

[1] CÂMARA, Gilberto. Desenvolvimento de SIG no Brasil: Desafios e oportunidades. INPE, Outubro /1996.    

[2] http://faef.revista.inf.br/imagens_arquivos/arquivos_destaque/VNL7UBq6BLxIMk2_2013-4-26-9-36-34.pdf

[3] https://www.scielo.br/pdf/spp/v19n3/v19n3a01.pdf

[4] https://www.scielo.br/pdf/rep/v28n3/a01v28n3.pdf

[5] https://www.scielo.br/pdf/ea/v21n59/a28v2159.pdf

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