Fazem 10 anos que existe uma guerra na Síria. Uma guerra que ocorre sobretudo por conta dos EUA, que queriam depor Bashar El-Assad. Para isso, financiaram, junto com Arábia Saudita, Turquia e outros países de maioria islâmica sunita, diversos grupos jihadistas, com o objetivo de facilitar a queda de Assad.

O termo “jihadista” tem sido usado por teóricos e jornalistas ocidentais desde os anos 1990 como uma forma de distinguir entre os muçulmanos sunitas não violentos e os violentos. É importante destacar que este termo não é usado por muitos muçulmanos, pois acreditam que se trata de uma associação incorreta entre um conceito religioso nobre e a violência ilegítima.

Vale lembrar que quando estourou a Primavera Árabe, Bashar el-Assad se propôs a conversar com os revoltosos, propondo a libertação de presos políticos, entre outras medidas. No entanto, para os Estados Unidos, buscando expandir sua influência na região e ter o controle do petróleo sírio, o melhor cenário era a queda de Assad, o que até hoje não ocorreu.

Mas o cenário atual mostra que parte do plano foi atingido, visto que os Estados Unidos atualmente controlam 90% do petróleo sírio, de acordo com a plataforma Monitor do Oriente Médio. Há, ainda, outros atores, além dos já citados: buscando evitar o aumento da influência saudita na região, o Irã e o Hezbollah também se envolveram na guerra, apoiando Bashar através da utilização de milícias armadas.

A Russia, por outro lado, apoia Bashar com o objetivo de ter um parceiro na região que ofereça uma rota segura para o Mediterrâneo.

A Turquia, por sua vez, apoia os jihadistas almejando desestabilizar a Síria e fortalecer seu projeto expansionista, retomando ideais otomanos, além de ter um espaço para colocar os mais de 2 milhões de refugiados sírios que atualmente se encontram em seu território.

Israel também é um ator da guerra ,  embora de menor relevância ,  pois passou a bombardear a Síria com o argumento de combater o Irã e o Hezbollah, seus inimigos declarados.

Há, ainda, os curdos, que exerceram um papel fundamental na luta contra o Estado Islâmico, que, em meio a toda instabilidade que assola o país, chegou a controlar uma área do tamanho do estado de São Paulo. Esse último acontecimento fez com que houvesse uma dinâmica própria da guerra que assola o país.

A guerra da Síria é complexa, mas pode-se dizer que há alguns blocos: de um lado, EUA, Turquia e Arábia Saudita — que possuem relações amistosas — , que são favoráveis a deposição de Bashar; do outro, Rússia, Irã e Hezbollah, que apoiam Bashar. Sem contar os curdos, que parecem ter uma atuação mais voltada à sua própria proteção.

No entanto, também pode-se dizer, grosso modo, que há um inimigo em comum entre esses grupos: o Estado Islâmico. Esse horizonte pode ser visto a partir do apoio dado, por parte do Irã e da Rússia, à Bashar, no combate contra os extremistas; mas também dos americanos aos curdos, que, como dito acima, lutaram ferozmente contra o Estado Islâmico.

Por fim, é difícil imaginar o fim dessa guerra ,  que já gerou mais 3 milhões de refugiados e 500 mil mortes ,  num futuro próximo. Como afirmou certa vez um intelectual turco,

esta não é uma guerra entre sírios, mas sim uma guerra na Síria, em que diversos atores buscam atingir seus objetivos.

E, em meio a tudo isso, quem tem sofrido é o povo sírio.

Por Matheus Anezio Pereira

Twitter: @matthgusmao

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